LÓTUS DE INVERNO SYRAH 750ML
de R$ 179,90 por R$ 129,90
País: Brasil
Produtor: Quinta do Maias
Região: Campo das Vertentes - MG
Uvas: 100% Syrah
Safra: 2025
Álcool: 13,3% Vol.- Saiba mais!
Descrição:
Produtor: Quinta do Maias
Região: Campo das Vertentes - MG
Uvas: 100% Syrah
Safra: 2025
Álcool: 13,3% Vol.
País: Brasil
Produtor: Quinta do Maias
Região: Campo das Vertentes - MG
Uvas: 100% Syrah
Safra: 2025
Álcool: 13,3% Vol.
Cor: Rubi intenso com reflexos violáceos e leve nuance púrpura, demonstrando juventude e
boa concentração.
Aromas: Frutas negras maduras como amora e mirtilo se destacam inicialmente.
A tipicidade da Syrah aparece com notas de pimenta preta, leve toque defumado natural e
traços sutis de ervas secas.
Há ainda delicada nuance floral que traz elegância ao conjunto.
Paladar: Ataque suculento e envolvente.
Corpo médio, taninos macios e maduros.
A fruta negra domina o centro de boca, acompanhada por especiarias naturais da variedade.
Boa acidez mantém o frescor e o equilíbrio.
Final persistente, levemente especiado.
Harmonização: Carnes grelhadas, cordeiro assado, embutidos artesanais, massas com ragu e queijos de média cura.
Conceito Enológico:
O Lótus de Inverno Syrah 2025 expressa a identidade da viticultura de inverno do Sul de Minas Gerais, resultado da técnica da dupla poda, que desloca a maturação para o período seco, favorecendo maior sanidade das uvas e excelente desenvolvimento dos compostos fenólicos.
A ausência de passagem por madeira preserva a autenticidade da variedade Syrah, permitindo que a fruta e as características naturais do terroir sejam protagonistas. A vinificação com controle de temperatura buscou extrair cor, aromas e taninos de forma equilibrada, resultando em um vinho de perfil moderno, elegante e fiel à expressão varietal.
Brasil - Campo das Vertentes - MG

É nesse cenário que a viticultura de inverno encontra um dos seus melhores argumentos no Brasil. A técnica da dupla poda desloca o ciclo da videira para que a maturação e a colheita ocorram justamente nos meses mais secos e frios do ano. No Campo das Vertentes, isso significa dias ensolarados, noites frias e praticamente nenhuma chuva no período final de maturação. A uva amadurece devagar, com sanidade, concentrando açúcar, preservando acidez e desenvolvendo compostos aromáticos com precisão.
Há também um detalhe importante que só se percebe quando se acompanha o vinhedo ao longo do tempo. A amplitude térmica na região gira em torno de 20 °C durante o período de maturação, criando um contraste muito claro entre dias e noites. As manhãs frias ajudam a preservar a acidez e a definir os aromas, enquanto as tardes ensolaradas garantem a evolução completa da maturação fenólica. Esse equilíbrio térmico não pesa o vinho, mas estrutura. Dá profundidade sem perder fluidez, algo que aparece com clareza na taça.
Os solos, em geral bem drenados, contribuem para esse controle natural da videira. A planta trabalha mais, produz menos e entrega uvas com maior concentração. Não há excesso, há intenção. Cada safra reflete um ano seco, limpo, quase silencioso do ponto de vista climático, o que favorece decisões mais precisas na colheita.
Quando o vinho chega à taça, o que aparece não é apenas técnica, mas lugar. Nos brancos, é comum encontrar uma combinação de fruta nítida, acidez firme e uma sensação quase mineral que prolonga o final. Nos tintos, a maturação fenólica bem resolvida traz taninos polidos, fruta madura sem exagero e especiarias que surgem mais como detalhe do que como protagonista.
Beber um vinho do Campo das Vertentes é perceber que o Brasil já não está apenas experimentando, está refinando. Existe um senso de identidade em construção, sustentado por condições naturais muito específicas e por um manejo que respeita esse tempo invertido da videira.
É o tipo de vinho que não pede pressa. Serve-se uma taça, observa-se a cor à luz, sente-se o aroma que vai se abrindo aos poucos. E, quando se prova, fica claro que aquele equilíbrio não é acaso. É resultado de um inverno seco, de dias claros e de uma região que, discretamente, encontrou seu próprio caminho para produzir vinhos que convidam a mais um gole.
Quinta dos Maias

Antes das videiras, vieram os pés de café.
Foi ali, no mesmo solo onde hoje crescem as uvas da Quinta dos Maias, que Sebastião dos Reis Neves construiu sua história. Descendente de espanhóis, era conhecido na região como “108”, uma figura respeitada, de presença firme e hábitos marcantes. Entre as histórias que ainda circulam, uma chama atenção: dizem que, no lugar de cães de guarda, ele deixava cobras protegendo o café já colhido. Verdade ou exagero, pouco importa. O que ficou foi a imagem de um homem profundamente ligado à terra, daqueles que entendem o campo não como trabalho, mas como extensão da própria vida. Décadas depois, aquele mesmo chão encontrou um novo propósito.
Foi ali que Ricardo Palla e Josiane Neves enxergaram algo além da paisagem. Mais do que beleza, perceberam potencial. A região do Campo das Vertentes, com seu clima seco no inverno e amplitude térmica marcante, oferecia as condições ideais para a produção de uvas de colheita de inverno, um caminho ainda recente no Brasil, mas com resultados cada vez mais consistentes. Mas essa história não começa apenas com a terra, começa também com o vinho.
Muito antes do primeiro vinhedo, o vinho já fazia parte da vida do casal. A produção começou de forma simples, quase íntima, em parceria com Nelso Palla, descendente de italianos e grande incentivador desse percurso. As uvas vinham do Sul do Brasil, e os primeiros vinhos eram feitos de forma despretensiosa, praticamente sem intervenção. Era mais sobre sentir do que controlar.
Com o tempo, veio a curiosidade. Depois, o estudo. Leveduras selecionadas passaram a fazer parte do processo, pequenas correções começaram a ser aplicadas, e cada safra se tornava uma oportunidade de aprendizado. Sem pressa, mas sem parar.
Do lado da família de Ricardo, tanto pela linhagem paterna quanto materna, de origem portuguesa, o vinho sempre esteve presente como tradição. Do lado de Josiane, o vínculo com o campo trouxe o conhecimento prático, o respeito pelos ciclos naturais e a compreensão do tempo da terra. Quando essas duas histórias se encontram, não somam apenas experiências, constroem um propósito.
Foi dessa convergência que nasceu a Quinta dos Maias.
O nome carrega o lugar. A região rural já é conhecida como Maias, e dentro da propriedade está a emblemática Cachoeira dos Maias, um marco natural que ajuda a definir a identidade do espaço. Não é um nome escolhido por acaso, é um nome que pertence à terra.


O resultado são vinhos que carregam mais do que características sensoriais. Carregam história. Carregam origem. Carregam escolhas.
E, de certa forma, carregam também um ciclo que se completa.
Onde antes havia café protegido por histórias quase míticas, hoje há vinhas cuidadas com intenção. A terra continua sendo a mesma. O que mudou foi a forma de interpretá-la.
E talvez seja isso que torne cada garrafa da Quinta dos Maias especial: ela não nasce apenas da uva, nasce de um lugar que nunca deixou de ser cultivado, apenas aprendeu a se expressar de um novo jeito.
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